segunda-feira, 11 de julho de 2016
domingo, 10 de julho de 2016
sábado, 9 de julho de 2016
As folhas mortas do verão
Editora: Clarim
Páginas: 432
ISBN: 9788573571288
”As folhas mortas do Verão – Episódios da Inquisição Espanhola” é mais um romance de época da lavra de Monsenhor Eusébio Sintra pela mediunidade de Valter Turini que tem, como pano de fundo, aspectos históricos da Inquisição instaurada na Espanha, a partir de 1478, pelos reis Fernando e Isabel, cognominados “os reis católicos”.
E com enredo assaz chocante para os padrões da moralidade atual, mas que, em contrapartida, afigura-se profundamente tocante nele atuam as insignes figuras de Maria de los Milagros e Andrés, jovens e ricos judeus cujo deleitoso amor é covardemente perseguido e esfacelado pela incontida e descabida paixão que à encantadora moça judia devota lúbrico prelado da alta hierarquia do clero toledense que, aliando-se a ignóbeis e vis inquisidores, sob o comando do crudelíssimo inquisidor-mor da Espanha, Tomás de Torquemada, vem colimar em inominada tragédia para os jovens, tornando-os vítimas de truculentas perseguições e de dores acerbas a eles imputadas pela máxima ignorância e impiedade humanas.
Peculiar episódio inscrito na história da evolução humana, a Inquisição é, dentre tantos outros fatos de igual ou pior teor, marca indelével de mais um dos grandes equívocos que cometeu o homem, no seu jornadear por este mundo de expiações e provas. Porém, não há erros: tudo se insere no Grande Concerto Divino, no dizer de Paulo aos romanos: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”.
Terrorismo
Em face da predominância da natureza animal sobre a espiritual e do desbordar das paixões, o ser humano, em determinados estágios da evolução, mantém as heranças primevas, os instintos primários que sobrepujam os valiosos tesouros da inteligência, do discernimento, da razão, da consciência. São eles que dão campo ao desenvolvimento da perversidade que não trepida em matar, de forma que a sua truculência emocional prevaleça.
A ausência dos sentimentos que engrandecem o indivíduo, o desvio para as estruturas esquizofrênicas, liberam as forças hediondas do primitivismo que se impõe pela tirania, abraçando o fanatismo que o caracteriza como primário, possuindo, a partir de então, um objetivo estimulador para dar campo ao que lhe é característica de evolução em nível inferior do processo de cultura e de emoção.
Pode, não poucas vezes, desenvolver a inteligência, adquirir conhecimento tecnológico, abraçando causas que parecem nobres, mas que somente constituem fugas do conflito perturbador para exibir a turbulência interior, a odiosidade que preserva no íntimo em relação aos demais com quem convive ou não e, por extensão, contra toda a sociedade.
Em razão da estrutura psicológica mórbida, possui graves desvios da libido, invariavelmente atormentado nas suas manifestações, com severos distúrbios das funções sexuais, ocultando o vazio existencial na exorbitância dos instintos agressivos nos quais se compraz. Frio, emocionalmente, perverso, porque insano, não possuindo qualquer amor à vida, faz-se odiar, porque se sente incapaz de despertar qualquer sentimento de amor, desencadeando a erupção da selvageria interna, que o promove a uma situação de destaque, na qual transita rapidamente, porque detesta a vida e todas as suas conquistas.
Exilando-se em antros sórdidos onde se refugia, repetindo o inconsciente pessoal que busca esconder-se por sentir-se inferior, incapaz de despertar qualquer interesse digno dos seus coevos, o terrorista é um psicopata congênito, mesmo que se expresse como portador de equilíbrio que bem disfarça, em razão das peculiaridades de toda uma existência de simulação, na qual esteve assinalado pela covardia e desespero íntimo de saber-se não aceito, que é o ressumar do conflito de inferioridade.
Naturalmente, como decorrência da sua insânia, pode fomentar o surgimento de outros portadores dos mesmos sentimentos de perversidade, trabalhando a infância e a juventude — materiais humanos muito próprios - mediante os processos da lavagem cerebral, induzindo a ódios irracionais e necessidade de destruição, que se iniciam pela perda do sentido existencial, que somente possui significado até o momento de alcançar a sua meta destrutiva. Incapaz de amar, porque se sente ancestralmente odiado, desenvolve perturbação do discernimento, por meio de cuja óptica os acontecimentos e as demais pessoas são todos adversários que devem desaparecer, quando também ele sucumbirá.
A sua fidelidade tem uma existência precária e veloz, mantendo-se enquanto a serviço da loucura que desenvolve, apresentando-se sempre desconfiada e insegura, porque não possui resposta emocional equivalente, nunca se entregando a outrem, por mais que encontre receptividade e afeição.
O terrorista, qual ocorre com o ditador, o sicário, o vândalo, tem existência tumultuada, que é sempre encerrada por homicídio violento ou mediante o suicídio ominoso, inqualificável.
São também terroristas aqueles indivíduos que, não obstante desconhecidos, espalham o medo, aproveitando--se das situações aflitivas para os demais; aqueloutros que geram a insegurança de qualquer natureza; também os ricos que exorbitam no comércio, submetendo os grupos humanos sem recursos ao seu talante; esses vis caluniadores que promovem o ódio; todos aqueles que permitem extermínios, mediante assassinatos inconcebíveis; os assaltantes inconsequentes e maus, que espalham o pavor; os estupradores perversos, e não poucos indivíduos que, apesar de fazerem parte da sociedade, encontram-se enfermos em estado grave...
Caso se permitisse terapia própria, o terrorista desenvolveria o sentimento do amor nele existente, mas não cuidado, conseguindo ultrapassar o nível de hediondez para o da fraternidade, saindo da consciência de sono para outro patamar de lucidez, de despertamento.
Ainda, nesse caso, defronta-se um Self em manifestação primitiva, com todas as expressões de beleza soterradas no inconsciente pessoal, que se transferem de uma existência física para outra sob ódio incoercível, em razão de alguma injustiça ou calamidade vivenciada e não absorvida pela razão.
O amor que a Humanidade lhe ofereça será a terapia mais segura para diminuir-lhe a angústia. Ao invés do revide pelo ódio, que mais lhe aguça os instintos repressores, o amor alcança-o suavemente e deixa de lhe vitalizar o ressentimento contra a sociedade, que o torna herói de fancaria, insignificante, mas hediondo, atormentado e desditoso.
Livro Triunfo Pessoal, Cap Disturbios Coletivos - Terrorismo
Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo Franco
Fonte da imagem: http://analisedecharges.blogspot.com.br/2010/03/analise-de-charge-sobre-homens-bomba.html
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Não se pode...
"Não se pode ser infeliz, não se pode morrer em vida, não se pode desistir de amar, de criar. Não se pode: é pecado, é proibido. Não é possível adiar a vida."
Caio Fernando Abreu
sábado, 2 de julho de 2016
terça-feira, 28 de junho de 2016
O caminho estreito para os confins do norte
Romance vencedor do Man Booker Prize 2014 narra a história de um cirurgião feito prisioneiro em um campo de trabalhos forçados japonês na Segunda Guerra Mundial.
.
Aclamado com o Man Booker Prize 2014, um dos mais prestigiosos prêmios literários do mundo, e considerado um dos melhores livros de 2014 por jornais como Guardian, Financial Times e The Washington Post, O caminho estreito para os confins do norte, de Richard Flanagan, é lançado no Brasil pela Biblioteca Azul.
O romance narra a história de Dorrigo Evans, um jovem tasmaniano que vai para Melbourne estudar medicina e se alista no exército. Capturado pelo exército japonês, é obrigado a trabalhar na construção da Estrada de ferro de Thai-Bhurma, também conhecida como a Ferrovia da Morte.
A narrativa não linear alterna o presente, no qual Evans é um cirurgião estabelecido assombrado pelas lembranças da guerra, e passado, quando viveu uma história de amor que marcou sua vida. O médico, que parecia ter um futuro promissor e um relacionamento sério com sua namorada Ella, tem sua vida transformada ao se apaixonar por pela misteriosa Amy, a esposa de seu tio.
A poesia é um elemento que permeia o romance. O título O caminho estreito para os confins do norte é uma citação a um livro de Bashô publicado em 1694, após o poeta viajar mais de 2 mil km a pé pela ilha japonesa de Honshu. A inocência do médico pretensioso que gosta de poesia é perdida no ambiente opressivo e violento do campo de trabalhos forçados, no qual Evans luta inutilmente para salvar seus companheiros da fome, da cólera e da disenteria.
O livro mistura elementos históricos e ficção. O relato da guerra é inspirado na vida do pai do autor, um dos sobreviventes dos trabalhos forçados na “Linha”. Idealizada pelo Império japonês para dar suporte às tropas na campanha da Birmânia, a ferrovia tem 415 km de extensão e mais de 14 mil homens morreram durante a construção.
Ao receber o Man Booker Prize 2014, Flanagan revelou que escrever este romance foi particularmente difícil. Ele precisou de 12 anos, cinco rascunhos e de um período de isolamento para terminar o livro. “Vivi um tempo sozinho em uma ilha durante os últimos seis meses [de escrita] do romance”
O autor conversou bastante com seu pai em busca de detalhes sobre a experiência no campo. “Eu estava interessado pequenas coisas – o cheiro da pele apodrecendo, como é o gosto de arroz no café da manhã, a textura da lama”. O pai do escritor morreu aos 98 anos, no dia em Flanagan concluiu o livro.
domingo, 19 de junho de 2016
O amor é uma companhia
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
Alberto Caeiro
domingo, 5 de junho de 2016
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Aceite-me
Tagore Rabindranath
Aceite-me, querido Deus, aceite-me por um momento.
Deixe os dias órfãos gastos sem Você serem esquecidos.
Alongue este breve instante por Seu amplo colo, mantendo-o sob Sua luz.
Vaguei atrás de vozes que me atraíram… deu em nada.
Permita-me, agora, sentar em paz e escutar Suas palavras no espírito de meu silêncio.
Não mostre Suas costas aos segredos obscuros do meu coração: queime-os até que Seu fogo os ilumine.
(Poema digitado e conferido por Por Fabio Rocha, para A Magia da Poesia.
do livro “O Coração de Deus: Poemas Místicos de Tagore Rabindranath” – Escolhidos e editados por Herbert F. Vetter. Tradução de Alberto Pucheu. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 21)
*
sábado, 28 de maio de 2016
Obesidade mórbida na visão espiritualista!
Ricardo Bernardi
Nosso psiquismo formou-se em milhões de anos. Como dizem os espíritos, nossa história vem desde o átomo e irá até o arcanjo. A obesidade mórbida, desta encarnação, está espelhando um desajuste nosso nas estruturas mais profundas de nossos corpos energéticos. Este desajuste é drenado, exteriorizado, para o organismo biológico. Esta exteriorização nada tem com punição, mas consequência natural. Deve ser tratada, corrigida e orientada como qualquer outro problema.
Todas nossas preferências, peculiaridades de comportamento e dificuldades, se estruturam nas experiências desta vida e das inúmeras vidas anteriores. E isto também serve para as dificuldades orgânicas expressivas com as quais, hoje, nos defrontamos.
Durante o período da gravidez, recebemos inúmeros condicionamentos, o mesmo ocorre durante nossa infância e toda nossa formação educacional, vivemos inúmeras situações que acabam potencializando qualidades, ou características que já trazemos de vidas pregressas.
Nosso inconsciente (espírito) registra fatos vivenciados que, conforme a sensibilidade pessoal, isto é, para cada um existe uma forma peculiar de reagir, determinam posturas mais ou menos equilibradas frente a tudo que nos deparamos na vida. Há, então, fatores desencadeantes ou gatilhos, nesta vida atual.
A obesidade mórbida decorre de uma fragilidade do corpo astral, ou seja, o perispírito, que, por uma série de diferentes causas (inúmeras orgias alimentares por exemplo) gerou um desequilíbrio no metabolismo do perispírito.
Este desequilíbrio determina, na moldagem de um novo corpo, pelo comando da genética astral sobre a genética física, uma formação de um organismo com esta tendência, isto é, a proliferação, em excesso, do tecido adiposo.
Recomenda-se buscar psicólogo, médico e tratamento espiritual na casa espírita.
Lembramos, finalmente, que a mudança do padrão de pensamento ocasiona a nova e constante reorganização do corpo astral.
A alegria, a felicidade o otimismo determinam a cura nas causas mais profundas, quer dizer curam a alma.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
sábado, 21 de maio de 2016
Mais do que doce...
"...é saber que tudo se move a nossa volta, tudo se transforma e, até mesmo quando nos recusamos a acompanhar a dança da vida, sem percebermos, ela nos tira pra dançar, nos envolve com um ritmo novo. Quando isso acontece? Quando nos abrimos para a magia de viver e respirar as entrelinhas, os silêncios."
Caio F. Abreu
terça-feira, 10 de maio de 2016
Para ti
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.
__________Mia Couto in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.
__________Mia Couto in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
quarta-feira, 20 de abril de 2016
sábado, 16 de abril de 2016
Saudade
Renato Teixeira
Compositor: Mario Palmeiro
Se queres compreender
O que é saudade
Terás que antes de tudo conhecer
Sentir o que é querer e o que é ternura
E ter por bem um grande amor viver
Então compreenderás
O que é saudade
Depois de ter vivido um grande amor
Saudade é solidão, melancolia,
É nostalgia, é recordar, viver
Se queres compreender
O que é saudade
Link: http://www.vagalume.com.br/renato-teixeira/saudade.html#ixzz462GqMLp6
quarta-feira, 6 de abril de 2016
O primeiro beijo
Clarice Lispector
Os
dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos
andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
–
Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me
diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?
Ele foi simples:
–
Sim, já beijei antes uma mulher.
–
Quem era ela? perguntou com dor.
Ele
tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O
ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da
garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe
pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às
vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir – era tão bom. A concentração
no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E
mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o
barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a
garganta seca.
E
nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de
reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era
morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele
próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A
brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e
ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente
juntava.
E
se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou
por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez
minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.
Não
sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais
próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada,
penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O
instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre
arbustos estava… o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus
parou, todos estavam com sede, mas ele
conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De
olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde
jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga.
Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se
saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os
e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a
estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se
de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais
frio do que a água.
E
soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A
vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente,
confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o
líquido vivificador, o líquido germinador da vida… Olhou a estátua nua.
Ele
a havia beijado.
Sofreu
um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe
o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou
para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma
parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva,
e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava
de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo
fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova,
era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até
que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade.
Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido:
ele…
Ele
se tornara homem.
terça-feira, 15 de março de 2016
Que você seja alegre...
Que você seja alegre,
mesmo quando vier a chorar.
Que você seja sempre jovem,
mesmo quando o tempo passar.
Que você tenha esperança,
mesmo quando o sol não nascer.
Que você ame seus íntimos,
mesmo quando sofrer frustações.
Que você jamais deixe de sonhar,
mesmo quando vier a fracassar.
Isso é ser Feliz...
Augusto Cury
segunda-feira, 14 de março de 2016
Virei pedra e entendi...
Caio Fernando Abreu
Virei pedra e entendi porque a solidão é a experiência mais universal de todas. A solidão é muito sacana. Num dia, ela te deixa eufórico, pensando nessa liberdade possível de não dever satisfação a ninguém e nessa possibilidade infinita de realizar todas as tuas vontades. Mas, no outro dia, a solidão te dá uma rasteira daquelas bem dadas. E te faz cair na real. Tu estás só feito um cão de rua, meu filho. Ninguém te ama, ninguém te quer, ninguém te conhece, ninguém tem acesso à tua alma. Tuas neuras são só tuas, e parece que nada nem ninguém preenche esse vazio.
sexta-feira, 11 de março de 2016
NÃO FURTAR
EMMANUEL / CHICO XAVIER
Diz a Lei: “não furtarás”. Sim, não furtarás o dinheiro, nem a fazenda, nem a veste,nem a posse dos semelhantes.Contudo, existem outros bens que desaparecem, subtraídos pelo assalto da agressividade invisível que passa, impune, diante dos tribunais articulados da terra.Há muitos amigos que restituem honestamente a moeda encontrada na rua, mas que não se pejam de roubar a esperança e o entusiasmo dos companheiros dedicados ao bem, traçando telas de amargura e desânimo, com as quais favorecem a vitória do mal. Muitos respeitam a terra dos outros, entretanto, não hesitam em lhes dilapidar o patrimônio moral, assentando contra eles a maledicência e a calúnia. Há criaturas que nunca arrebataram objetos devidos ao conforto do próximo, contudo, não vacilam em lhes surrupiar a confiança.E há pessoas inúmeras que jamais invadiram a posse material de quem quer que seja, no entanto, destroem, sem piedade, a concórdia e a segurança do ambiente em que vivem, roubando o tempo e a alegria dos que trabalham.
“Não furtarás” – estatui o preceito divino. É preciso, porém, não furtar nem os recursos do corpo, nem os bens da alma, porquanto a consequência de todo furto é prevista na Lei.
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