quinta-feira, 21 de junho de 2018

Um bom conselho

"Dou-lhe um conselho, filho.
Nunca diga que uma mulher foi sua.
Essas são coisas para nós mulheres dizermos.
Só nós sabemos de quem somos.
E nunca somos de ninguém."

Mia Couto

domingo, 4 de março de 2018

QUEM É O OBSESSOR?

   
      
      Muitas pessoas religiosas acreditam em espíritos malignos, demônios e obsessores.
      Essas seriam entidades espirituais que podem nos prejudicar e sugar nossas energias.
      No entanto, muitas vezes nós mesmos somos os obsessores das outras pessoas.
      Somos os obsessores quando desejamos fazer prevalecer nossas idéias e impor nossas verdades a outrem.
      Somos os obsessores quando criticamos, julgamos o condenamos o outro sem pleno conhecimento de causa.
      Somos os obsessores quando temos ciúme e queremos obter a posse do outro.
      Somos os obsessores quando batemos o pé e forçamos o outro a seguir a nossa vontade.
      Somos os obsessores quando exigimos que o outro faça por nós algo que nos cabe fazer.
      Somos os obsessores quando desejamos vencer uma discussão, instituir nossas verdades e firmar nosso ponto de vista.
      Somos os obsessores quando burlamos o livre arbítrio alheio e o fazemos trilhar o caminho que nós julgamos correto.
      Somos os obsessores quando tentamos ajudar sem nos preocupar no que é melhor para o outro, mas sim seguindo apenas o que nós acreditamos ser o melhor.
      Somos os obsessores quando desejamos comprar o afeto das pessoas com presentes, regalias, benesses e mimos, esperando sempre algo em troca.
      Somos os obsessores quando não permitimos que o outro cresça, se desenvolva, para não se tornar melhor do que nós.
      Somos os obsessores quando fazemos tudo pelo outro e não permitimos que ele faça, erre e aprenda sozinho.
      Somos os obsessores quando vomitamos um longo falatório desordenado e fútil acreditando que o outro tem obrigação de nos ouvir.
      Somos os obsessores quando não damos espaço para o outro, o prendemos, o sufocamos, podamos seus movimentos, cobramos, oprimimos, sem permitir sua independência.
      Somos os obsessores quando acreditamos que o outro deve corresponder aos nossos padrões, nossos modelos, nossa religião, nossos costumes, nossas crenças e nosso ideal de ser.
      Somos os obsessores quando geramos milhares de conflitos, discórdias e desunião, quando criamos confusão, intrigas, fofocas e distorcemos a realidade para prejudicar o outro.
      Somos os obsessores quando dissemos uma coisa ao outro e fazemos outra, enganando, omitindo e dissimulando.
      Somos os obsessores quando vivemos reclamando e acreditamos que o outro tem obrigação de aguentar nossas lamúrias.
      Somos os obsessores quando elogiamos para manipular, louvamos para enganar, enchemos o ego do outro para confundi-lo a fazer o que queremos.
      Somos os obsessores quando fazemos do outro a nossa vida e depois ficamos magoados quando ele se afasta deixando um buraco em nosso peito, um vazio existencial e uma profunda infelicidade.
      Procure a vida em ti mesmo. Não seja mais um obsessor do outro.
      Não dependa de ninguém para ser feliz. Não fique sugando as pessoas.
      Não acredite que o obsessor é sempre o outro…
      Há sempre algo de obsessor em nós mesmos.

(Desconheço a autoria. Recebi de um amigo.)
Imagem retirada do https://www.visualflood.com/post/christina-nguyen

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Frederico Lourenço

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Nasceu em Lisboa, em 1963. Formou-se em línguas e literaturas clássicas na Faculdade de Letras de Lisboa, onde concluiu seu doutorado e hoje leciona. Colaborou com os jornaisPúblico, O Independente, Diário de Notícias e Expresso. Publicou críticas literárias nas revistas Colóquio/Letras, Journal of Hellenic Studies, Humanitas, Classical Quarterly eEuphrosyne. É autor dos romances Pode um desejo imenso, Amar não acaba, A formosa pintura do mundo e A máquina do arcanjo, e de Ensaio sobre Píndaro, Grécia revisitada eNovos ensaios helênicos e alemães, entre outros. Traduziu do grego a Odisseia, Ilíada e as tragédias de Eurípedes, Hipólito e Íon. Sua tradução da Odisseia recebeu o prêmio D. Diniz da Casa de Mateus e o grande prêmio de tradução do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Tradutores.
https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=03013 


Frederico Lourenço: Prémio Pessoa para o tradutor de Homero e da Bíblia


A épica tradução a solo da Bíblia, a partir do grego antigo, foi o pretexto mais próximo para a atribuição do Prémio Pessoa a Frederico Lourenço, mas o tradutor de Homero ou Eurípedes é também ficcionista, ensaísta e poeta.

https://www.publico.pt/2016/12/09/culturaipsilon/noticia/-e-o-premio-pessoa-2016-1754215




segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

NA BERMA DE NENHUMA ESTRADA


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Mia Couto selecionou 38 textos, publicados originalmente em jornais e revistas ao longo dos últimos anos, para esta coletânea que chamou de Na berma de nenhuma estrada. Nestes contos, cada novo encontro com a sua escrita significa uma viagem que não queremos ver terminar. 

A intensidade das personagens, a multiplicidade de registros em que as várias tramas ocorrem, o universo do fantástico e do sobrenatural coexistindo em perfeita sintonia com o cotidiano da tradição, da cultura e da vivência; a capacidade de fabulação e a oralidade sonora da palavra escrita são encantatórias e misteriosas. Compõem esta seleta contos como “Fosforescências”, “O fazedor de luzes” e “Os amores de Alminha”. 




segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A eternidade em uma hora

           
           Três grandes obras de Rubem Alves reunidas em um só volume.
         Coletânea de três outros livros de Rubem Alves, todos inspirados na poesia do inglês Willian Blake, A eternidade numa hora reúne crônicas que permitirão ao leitor o mais profundo contato com o que a prosa desse grande escritorbrasileiro revela.
          Com Um mundo num grão de areia, O céu numa flor silvestre e O infinito na palma da sua mão reunidos em uma única edição, será possível compreender o quão sublime e magnífico é o mundo, a riqueza e infinitude do universo humano e toda a beleza divina – manifestada nas artes, na natureza e nas descobertas humanas – são os temas das crônicas aqui reunidas.
         Tocar o infinito, viajar pelo mundo irrevelado que habita cada ser humano como um minúsculo grão de areia e contemplar a beleza que as palavras de Rubem Alves capturam. Seu olhar certamente estará transformado ao final da leitura deste livro.
https://www.saraiva.com.br/a-eternidade-numa-hora-9735397.html

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Como Nasrudin criou a verdade


Nasrudin(Khawajah Nasr Al-Din)

— As leis não fazem com que as pessoas fiquem melhores — disse Nasrudin ao Rei. — Elas precisam, antes, praticar certas coisas de maneira a entrar em sintonia com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente.

O Rei, no entanto, decidiu que ele poderia, sim, fazer com que as pessoas observassem a verdade, que poderia fazê-las observar a autenticidade — e assim o faria.

O acesso a sua cidade dava-se através de uma ponte. Sobre ela, o Rei ordenou que fosse construída uma forca.

Quando os portões foram abertos, na alvorada do dia seguinte, o Chefe da Guarda estava a postos em frente de um pelotão para testar todos os que por ali passassem. Um edital fora imediatamente publicado: "Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso na cidade permitido. Caso mentir, será enforcado."

Nasrudin, na ponte entre alguns populares, deu um passo à frente e começou a cruzar a ponte.

— Onde o senhor pensa que vai? — perguntou o Chefe da Guarda.

— Estou a caminho da forca — respondeu Nasradin, calmamente.

— Não acredito no que está dizendo!

— Muito bem, se eu estiver mentindo, pode me enforcar.

— Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!

— Isso mesmo - respondeu Nasrudin, sentindo-se vitorioso. — Agora vocês já sabem o que é a verdade: é apenas a sua verdade.

O Mullá Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) escreveu, no século XIV em que viveu, histórias onde ele mesmo era personagem. São histórias que atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, seita religiosa ou de sabedoria de vida, de antiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje. Como o budismo e o zen-budismo, o sufismo sempre aliou o (bom) humor com sabedoria.

O texto acima foi publicado no livro “Histoires de Nasroudin”, Éditions Dervish, s.d., e extraído do livro “Os 100 melhores contos de humor da literatura universal”, Ediouro – Rio de Janeiro, 2001, pág. 50. Organização de Flávio Moreira da Costa.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Travessia do Albatroz


Marcia Camargos

livro é um romance baseado na história real de um jovem iraniano e seu melhor amigo. Contrariando normas rígidas, Kurosh Majidi (nome fictício) apaixona-se por Zibã, uma não muçulmana. Na direção oposta, seu amigo Behruz abraça o radicalismo xiita. Candidato a mártir, está disposto a morrer em nome de Alá, ainda que para isso tenha que sacrificar a amizade de infância. Convertido em militante radical, Behruz engaja-se no exército de Khomeini. Amante da liberdade, Kurosh evita as frentes de combate. Vê os amigos serem seduzidos pelo fanatismo, enquanto ele se distancia da fé. Quando a história assume proporções trágicas, Kurosh decide que chegou a hora de partir. Começa então sua epopéia, ponto central do livro. Kurosh aventura-se rumo à fronteira com a Turquia e acaba preso e torturado. Retorna à cidade natal, mas não desiste. Como um albatroz, a grande ave migratória, ele reúne forças, supera o medo e atravessa a cordilheira coberta de neve e infestada de lobos famintos.