quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

O Homem mais Sábio do Mundo

 Há cerca de 450 anos a.C. em Atenas um grande pensador chamado Xenofonte, foi até o oráculo mais conhecido e importante de toda a Grécia:

O oráculo do templo de Delfos, em homenagem ao deus da sabedoria Apolo.

Chegando lá, Xenofonte foi atendido pela pítia (sacerdotisa) principal do templo.

Ela se dirigiu a uma fenda no chão, de onde vapores exalavam "o sopro de Apolo", e logo após inalar tais vapores, entrou em uma espécie de transe, e nesse momento, o deus Apolo passou a falar por sua boca...




Em seguida, Xenofonte perguntou ao deus da sabedoria, quem seria o homem mais sábio na face da terra.

Pela boca da pítia, o deus Apolo afirmou sem titubear: Sócrates!

Após receber tal notícia, Xenofonte desceu o monte em Delfos, correndo velozmente para encontrar Sócrates.

Ao encontrá-lo, ainda retomando o fôlego, contou a ele o que afirmou o deus Apolo.

Sócrates se assustou.

Sabia que possuía certa sabedoria, mas ser escolhido como o mais sábio entre todos, era uma notícia que o deixou atônito, e principalmente, descrente do deus.

Por causa disso, Sócrates passou boa parte de sua vida questionando outras pessoas, fossem sofistas, artífices, militares, artesãos, cidadãos e estrangeiros em geral, a fim de verificar qual o motivo de ter sido escolhido por esse deus.

Elaborou um método próprio, conhecido como maiêutica, onde através de perguntas e respostas, conseguia mostrar as inconsistências do conhecimento de seus interlocutores.

Quanto mais ele perguntava, mais ele verificava que, quanto maior a empáfia e arrogância, menos conhecimento real essas pessoas tinham.

Contudo, continuava Sócrates sem entender como ele poderia ser o homem mais sábio do mundo.

Até que foi percebendo que, apesar de saber que detinha um elevado conhecimento, tinha a real percepção de quanto ainda poderia aprender.

Com isso, percebeu que era realmente o mais sábio, não por saber muito, mas por saber que ainda tinha muito, mas muito a aprender, proferindo supostamente a sua famosa frase:

"Só Sei que Nada Sei".


Esse gesto de modéstia intelectual, posteriormente se tornou quase que um lema para pensadores, pesquisadores e cientistas, ganhando o nome de douta ignorância, por Nicolau de Cusa.

Portanto, saber que nada sabemos não é desmerecer nosso conhecimento, mas sim ter a certeza que ainda existe um universo de possibilidades e de saberes a conquistar.

Quanto mais aprendemos, mais percebemos que temos mais e mais para aprender.

E é exatamente nesse ponto que a filosofia tanto agrega:

Descobrir os mais relevantes dilemas existenciais, refletir sobre questões pertinentes ao nosso cotidiano, enfim, repensar sobre tudo os que nos atinge e nos influencia, desenvolvendo um pensamento crítico, que nos permite ver além e encontrar nossos próprios valores.
A filosofia é um convite para enxergarmos um mundo fora de Matrix, ou seja, fora de uma caixa fechada pelo pensamento vigente da sociedade em que vivemos.

Espero que tenha gostado do texto, um pedacinho do que veremos a partir da próxima segunda, na Semana da Filosofia.

Forte abraço e vamos filosofar!

Prof. Dr. Thiago Rodrigues Pereira
Diretor Pedagógico do Novo Liceu
Doutor em Direito e Pós-doutor em Direito Humanos
Doutorando em Filosofia


 
Christiane Corrêa
Facebook: @novoliceu
Instagram: @novo_

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Do Amoroso Esquecimento


Eu agora, – que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?    

Mario Quintana

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Hipátia de Alexandria

 

HIPÁTIA DE ALEXANDRIA 

          A paixão dela era o CONHECIMENTO; o seu pai era o seu mentor e diretor da BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA. 
              Foi criada para ser UM SER HUMANO INTEGRAL !!!!
              Era bela, culta, sábia. UMA MULHER COMPLETA NUMA ÉPOCA DIFÍCIL!!
           Foi a primeira mulher matemática que se tem notícia. Era filósofa, neoplatonista, poeta, artes - religião para conhecer apenas. 
     Seu pai dizia que NUNCA A RELIGIÃO DEVERIA LIMITAR O SEU PENSAMENTO. 
           Estudou e ensinou astronomia e física. Aos 30 anos de idade foi convidada a ser diretora da Biblioteca de Alexandria. 
              Não casou, pois gostava de ministrar aulas, sendo bastante concorrida.
              Era oratória e retórica. Ensinava a todos indistintamente. 
             Além   de  matemática,  ela  ensinava  que  OS  UNIVERSOS  ERAM  REGIDOS PELAS LEIS FÍSICAS QUE PODIAM SER EXPRESSOS PELOS NÚMEROS. 
          ENSINAVA  QUE  A  SABEDORIA  ERA  O  CAMINHO QUE LEVAVA AO DIVINO !!!!!
              A FILOSOFIA NEOPLATONISMO ERA UM LAPIDAR DA ALMA !!!!
TUDO VINHA DE UMA ÚNICA FONTE = UNO !!!!
              E, TODOS OS SERES PROVENIENTES DESSE UNO !!
         Por tudo isso, ela era vista como uma figura do MAL... por incomodar muito o CLERO. Ela se tornou um alvo político-religiosa. Fizeram um plano forjando ela como bruxa... por ver até os eclipses futuros, pois entendia de astronomia. 
           Tentaram  calar  ela  achando  que  o  seu  assassinato  faria  com que as pessoas deixassem de ter seus conhecimentos. 
            TENTAM CALAR ELA ATÉ HOJE, TRATANDO A MULHER COMO OBJETO !!!!! E, assim ao longo da história humana essas barbáries foram ocorrendo, TODOS que vieram trazer a iluminação à humanidade sofreram, foram assassinados. 
             Está  na  hora  da humanidade se unir em PROL DE TODOS. O TEMPO URGE, QUE CADA UM FAÇA A SUA PARTE AFIM DE ASCENCIONAR PARA QUE O PLANETA ASCENSIONE.
Aula física quântica - Hélio Couto 
Namastê 
Mônica 


Prontos para o melhor
O alvorecer da nova Terra

Vivaluz Editora

(Três encarnações de Hipátia)


Estamos em plena transição planetária. A Terra se encontra no limiar da era do Espírito. É chegada a hora de assumirmos a nossa real identidade espiritual, nosso futuro glorioso. Mas o que isso significa?

Como os personagens dessa história, somos espíritos que há muito reencarnam na Terra vivenciando milênios de aprendizado. Essa é uma encarnação decisiva. Uma única escolha poderá definir o nosso destino. Iluminemos o nosso caminho.

A história tem início na Pérsia em 483 a.C. com a rainha Ester; alcança a cidade de Alexandria no Egito em 400 d.C. com Hipátia, ilustre astrônoma, filósofa e matemática; chegando aos dias atuais no Brasil. Acompanhamos ainda a trajetória de Anália Franco, em suas diferentes missões no orbe terrestre e sua incessante tarefa no mundo espiritual, trabalhando as bases do mundo de regeneração.

Um romance inspirador, que amplia os horizontes da fé, como sendo um anjo a nos oferecer coragem e ânimo em dias tão desafiadores.

Deixe ir...

 

ANTHONY HOPKINS   
      
           "Deixe ir as pessoas que não estão preparadas para te amar. Essa é a coisa mais difícil que você terá que fazer na sua vida e também será a coisa mais importante. Pare de ter conversas difíceis com pessoas que não querem mudar.
          Pare de aparecer para as pessoas que não têm interesse na sua presença. Sei que o seu instinto é fazer de tudo para ganhar o apreço dos que o rodeiam, mas é um impulso que rouba o seu tempo, energia, saúde mental e física.
          Quando você começa a lutar por uma vida com alegria, interesse e compromisso, nem todo mundo estará pronto para seguir você nesse lugar. Isso não significa que você precisa mudar o que você é, significa que você deve deixar ir as pessoas que não estão prontas para acompanhar você.
          Se você é excluído, insultado, esquecido ou ignorado pelas pessoas a quem você dá seu tempo, você não faz um favor ao continuar oferecendo sua energia e sua vida. A verdade é que você não é para todo mundo e nem todos são para você.
          Isso é o que torna tão especial quando você encontra pessoas com quem tem amizade ou amor correspondido. Você saberá o quão precioso é porque você experimentou o que não é.
          Quanto mais tempo você passa tentando te fazer amar por alguém que não é capaz, mais tempo você perde se privando da possibilidade dessa conexão com outra pessoa.
          Há bilhões de pessoas neste planeta e muitas delas vão encontrar-se com você, ao seu nível de interesse e compromisso.
          Quanto mais você continua envolvido com pessoas que te usam como almofada, uma opção de segundo plano ou um terapeuta para a cura emocional, mais tempo você se afasta da comunidade que deseja.
          Talvez se você parar de aparecer, não seja procurado. Talvez se você parar de tentar, a relação termine. Talvez se você parar de enviar mensagens, seu telefone permanecerá escuro por semanas.
          Isso não significa que você arruinou a relação, significa que a única coisa que segurava era a energia que só você dava para mantê-la.
          Isso não é amor, é apego. É querer dar uma chance pra quem não merece! Você merece muito, existe gente que não deve estar na sua vida, você vai perceber.
         A coisa mais valiosa que você tem na sua vida é o seu tempo e energia, pois ambos são limitados. Ao que você der seu tempo e energia, definirá sua existência.
         Quando você percebe isso começa a entender porque você está tão ansioso quando passa tempo com pessoas, em atividades, lugares ou situações que não lhe convêm e não devem estar perto de você, você é roubado em energia.
          Você começará a perceber que a coisa mais importante que pode fazer por si mesmo e por todos os que o rodeiam é proteger sua energia mais ferozmente do que qualquer outra coisa.
          Faça da sua vida um refúgio seguro, no qual só são permitidas pessoas ′′ compatíveis ′′ com você.
          Você não é responsável por salvar ninguém. Você não é responsável por convencê-los a melhorar. Não é seu trabalho existir para as pessoas e dar sua vida a elas!
          Porque se te sentires mal, se te sentires obrigado, serás a raiz de todos os teus problemas pela tua insistência, temendo que não te devolvam os favores que concedeste. É sua única obrigação perceber que você é o amo do seu destino e aceitar o amor que você acha merecer.
          Decida que você merece amizade verdadeira, compromisso." verdadeiro e amor completo com pessoas saudáveis e prósperas. Depois espere e veja o quanto tudo começa a mudar e mudará, isso é certo, com pessoas positivas e de energia boa, não perca tempo com gente que não vale a pena, a mudança lhe dará o amor, a estima, a felicidade e a proteção que você merece.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Amei-te sem Saberes

Triste rose Fotografias de Banco de Imagens, Imagens Livres de ...
No avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos noturnos lábios entreabertos

E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar

No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada

Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas
a espera do silêncio

Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho'

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

História da Solidão e dos Solitários



A oposição entre convivência e isolamento é intensificada pelo papel das novas tecnologias de comunicação e das redes sociais. Mas esse fenômeno é apenas o ponto de chegada de uma longa história que começa na Antiguidade, quando os pensadores já haviam posto a alternativa em seus termos: o homem é um “animal social”, mas não deixa de ser amante dos encantos bucólicos do isolamento. Solidão física e psicológica, solidão voluntária e aplicada como pena criminal, refúgio e maldição: este livro retraça em detalhe a história da dubiedade dessa condição humana.

TRADUÇÃO: Maria das Graças de Souza
ASSUNTOS: História Cultural / História Geral
ANO: 2019
ACABAMENTO: Brochura
PÁGINAS: 503
ISBN: 9788539307951
PESO: 805g
FORMATO: 16 X 23

Georges Minois é professor de História e historiador das mentalidades religiosas. Dele, a Editora Unesp publicou História do riso e do escárnio (2003), A idade de ouro (2011), História do ateísmo (2014), História do futuro (2016) e História do suicídio (2018).

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Lembranças de Itabira - 11/07/2019

  

Confidência do Itabirano


Carlos Drummond de Andrade


Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
[esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;]*
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa…

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Tem os que passam

Papel De Parede Celular Fofo, Papel De Parede Da Galáxia, Desenhos Para Papel De Parede, Ideias De Papel De Parede, Papeis De Parede Para Iphone, Arte Visionária, Arte Da Bíblia, Ideias Para Cartaz, Capa De Fundo
de Alice Ruiz


Tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado

quinta-feira, 3 de outubro de 2019



Nunca fui como todos

Nunca tive muitos amigos

Nunca fui favorita

Nunca fui o que meus pais queriam

Nunca tive alguém que amasse

Mas tive somente a mim

A minha absoluta verdade

Meu verdadeiro pensamento

O meu conforto nas horas de sofrimento

não vivo sozinha porque gosto

e sim porque aprendi a ser só..."




Florbela Espanca

terça-feira, 17 de setembro de 2019

História dos Judeus em Portugal - indicação de leitura


Em meados do século XIX, quando os arquivos do Santo Ofício da Inquisição em Portugal ainda permaneciam secretos, e Alexandre Herculano apenas iniciava a desmascarar as "negociatas" do monarca, D. João III, com o Vaticano, um rabino alemão se lançounuma aventura surpreendente: devastar a história dos judeus em Portugal, desde a formação da monarquia portuguesa até o século XIX. Esta obra permanece até hoje o mais fiel retrato de uma longa trajetória dos judeus sefaradim, da tolerância à catástrofe final, que foi a sua conversão forçada à religião cristã. Os conhecimentos que Meyer Kayserling revela sobre o funcionamento do Tribunal do "Santo" Ofício da Inquisição, sobre o drama vivido pelos convertidos, as "manobras" financeiras dos monarcas portugueses com o Papa e com os mercadores e homens de negócios, sobre o êxodo e as peregrinações dos judeus, sem solo, sem pátria, sem identidade, e o silêncio do mundo ante os festivos autos-de-fé, onde a população eufórica ia assistir a destruição de vidas indefesas, vêm descritos com um raro conhecimento bibliográfico e sensível erudição. Esta segunda edição da obra de Meyer Kayserling sai ampliada de notas, ilustrações e de uma bibliografia atualizada.

História dos Judeus em Portugal

Autor: Meyer Kayserling
Editora Perspectiva
Páginas: 446


Adquiri este livro quando visitei o Museu da História da Inquisição no Brasil em Belo Horizonte. Uma história comovente, que toca profundamente o coração da gente. O museu também é um local riquíssimo  em informações. Vale a pena conhecer.

domingo, 30 de setembro de 2018

Não te rendas


Mario Benedetti

Não te rendas, ainda estás a tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo.

Não te rendas que a vida é isso,
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento:
ainda há fogo na tua alma
ainda existe vida nos teus sonhos.

Porque a vida é tua, e teu é também o desejo,
porque o quiseste e eu te amo,
porque existe o vinho e o amor,
porque não existem feridas que o tempo não cure.

Abrir as portas,
tirar os ferrolhos,
abandonar as muralhas que te protegeram,
viver a vida e aceitar o desafio,
recuperar o riso,
ensaiar um canto,
baixar a guarda e estender as mãos,
abrir as asas
e tentar de novo
celebrar a vida e relançar-se no infinito.

Não te rendas, por favor, não cedas:
mesmo que o frio queime,
mesmo que o medo morda,
mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
ainda há fogo na tua alma,
ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque cada dia é um novo início,
porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, por eu te amo.

Fonte da imagem: https://www.google.com.br/search?q=n%C3%A3o+te+rendas&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjzn77wgOTdAhUPl5AKHYkABioQ_AUICygC&biw=1692&bih=762#imgrc=SPm7QIcyj4n6AM:

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A falta que me fazes

"Há muito tempo, sim, não te escrevo. Ficaram velhas todas as notícias. Eu mesmo envelheci. Olha, em relevo, estes sinais em mim, não das carícias (tão leves) que fazias no meu rosto: são golpes, são espinhos, são lembranças da vida a teu caminho, que ao sol-posto perde a sabedoria das crianças. A falta que me fazes não é tanto à hora de dormir, quando dizias: "Deus te abençoe", e a noite abria em sonho. É quando, ao despertar, revejo a um canto a noite acumulada de meus dias, e sinto que estou vivo, e que não sonho."

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 21 de agosto de 2018

O Menino Das Meias Vermelhas

Resultado de imagem para meias vermelhas

Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas. 

Era um garoto triste, procurava estudar muito, mas na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Os outros guris zombavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava. 

Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas. 

Ele contou com simplicidade: 

- "No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo. Botou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que todo mundo ia zombar de mim por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela". 

Os garotos retrucaram: 

- "Você não está num circo! Porque não tira essas meias vermelhas e joga fora?" 

Mas o menino das meias vermelhas explicou: 

- "É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela".

Carlos Heitor Cony, 1926/2018

Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que rí e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi outras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
Florbela Espanca

terça-feira, 14 de agosto de 2018

A condição humana


Andre Malraux

China, Março de 1927. Um homem corroído pela amargura. Um país sacudido por uma insurreição. Atrás de fachadas insuspeitas de cidades sufocadas por riquixás, automóveis e bondes, fumaça de carvão, excrementos e suores de brancos e amarelos, homens planejam uma revolução, muitos divididos entre a culpa e a ideologia. Publicado em 1933, este livro de André Malraux é um relato dos acontecimentos que deram início à Revolução Chinesa.