quarta-feira, 31 de julho de 2013

Talvez não amanhã...

 
                                                                                                                                Caio Fernando Abreu
"Vai passar, tu sabes que vai passar.
 
Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?
 
O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital".
 
Pois esse impulso, às vezes cruel, que não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez".
Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, é o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência..."
Imagem retirada do site: www.adilsoncosta.com 

Fizeram a gente acreditar...

 
Martha Medeiros
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, 
amor pra valer, só acontece uma vez
acionado, nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de
nós é a metade de uma laranja, e que a vida
só ganha sentido quando encontramos a
outra metade.

 Não contaram que já nascemos inteiros,
que ninguém em nossa vida merece carregar
nas costas a responsabilidade de completar
o que nos falta: a gente cresce através da
gente mesmo. Se estivermos em boa companhia
é só mais agradável.

 Fizeram a gente acreditar que só há uma
fórmula de ser feliz, a mesma para todos,
e os que escapam dela estão condenados
à marginalidade. Não contaram que estas
fórmulas dão errado, frustram as pessoas,
são alienantes, e que podemos tentar outras
alternativas.
 
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado
por você mesmo, vai poder ser muito feliz
e se apaixonar por alguém.

Imagem retirada do site: http://meuolharcaleidoscopio.blogspot.com.br/2011/04/sou-luz.html

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Todo Caminho


Guimarães Rosa

Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais.
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!...
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza...

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Influências

 
Se permitirmos que alguém nos influencie, deixamos que a pessoa nos tire o poder e a paz interior.
Nosso poder está dentro de nós.
Quando agimos de acordo com  o que julgamos certo, ninguém pode nos influenciar. Não buscamos aceitação nem reconhecimento exteriores. a aceitação e o reconhecimento vem do nosso íntimo. Retomamos nosso poder e ficamos em paz.
 
Trecho do livro: A Força da Paz Interior - Diana Cooper

domingo, 21 de julho de 2013

Poemas

 
 

Mário Quintana
Poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Imagem retirada do site: http://blogs.jovempan.uol.com.br/poeta/as-maos-2/

Mia Couto - repensar o pensamento


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Se


Médium: Divaldo Franco
         Espírito:  Marco Prisco  
 
Se alguém pretende magoá-lo, e você não aceita a ofensa, ele não o conseguirá, por mais o tente.
         Se outrem enunciou cruel calúnia para desmoralizá-lo, e ele mente, como é óbvio, você prosseguirá como antes.
         Se alguma pessoa de temperamento áspero não simpatiza com você, e a sua é uma atitude de compreensão, de forma alguma você será afetado pelas suas vibrações negativas.
         Se um amigo de largo tempo desertou da sua companhia, acusando-o injustamente, e você se encontra com a consciência tranquila, não prosseguirá a sós.
         Se você foi acusado por perversidade ou inveja de alguém, e se permanece consciente da sua honorabilidade, nada mudará em sua vida.
         Se você se vê a braços com inimigos ferrenhos, mas não revida o mal que lhe desejam, conseguirá expressiva vitória na sua marcha ascensional.
         Se apupado e desrespeitado, você percebe que o fazem por despeito e sentimentos inferiores, não se detendo na torpe situação, você é um vencedor.
         Se algumas criaturas demonstram desagrado ante a sua presença, e você consegue desculpá-las, a sua é a postura adequada.
* * *
         Nunca tome para você as agressões dos outros, mesmo quando citado nominalmente.
         A grande maioria dos indivíduos vê o seu próximo mediante a projeção dos próprios conflitos, e nem sequer dão-se conta da insensatez que os domina.
         É fácil identificar nos outros ou transferir as próprias torpezas e insânias, raramente os tesouros das virtudes que escasseiam.
         Mantenha-se em paz, não se considerando tão importante, que seja sempre motivo da agressão e da maldade dos outros.
         Sempre haverá opositores e vítimas na sociedade.
         Que você seja a tranquilidade de consciência a serviço do Bem libertador.
         Se você assim proceder, o mal dos outros nunca lhe fará mal, mas o seu bem a todos fará muito bem.

sábado, 13 de julho de 2013

Tomara

 

Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Imagens retiradas do site: http://katrix.com.br/recados/29/3/Tristeza.html

Elis Regina - Última Entrevista Editada - Jogo da Verdade


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Roberto Carlos / Chico Xavier


Mar Traiçoeiro

 
 
"O Reino de Deus é comparado a um homem que lança a sua barca nas águas calmas do mar, na expectativa de pescar para o próprio sustento, mas quando se encontra preparado para atirar as redes redes, as águas se encrespam açoitadas pelos ventos rudes e se tornam ameaçadoras, diante de nuvens carregadas e sombrias. Mas ele confia nos remos frágeis e nos braços fortes, insistindo sem temor, até que a tempestade passa e tudo se acalma, facultando-lhe recolher o fruto da paciência e da perseverança. Ao retornar à praia, com o barco carregado de peixes, comentando sobre as ameaças da tormenta, por mais que os outros desejem entende-lo, somente ele sabe o que sofreu e lutou, porque somente ele foi testemunha do desafio e da provação. O mesmo se dá com aquele que sai na busca do Pai no mar traiçoeiro da Humanidade, e não desanima, nem temem as ocorrências infelizes, porque sabe que, um pouco depois, chega a hora do encontro..."
Trecho do novo livro de Amélia Rodrigues, ditado ao Médium Divaldo Pereira Franco, VIVENDO COM JESUS. (LINDO LIVRO!)

domingo, 7 de julho de 2013

Bilhete

Mário Quintana

 Se tu me amas, ama-me baixinho

 Não o grites de cima dos telhados

 Deixa em paz os passarinhos

 Deixa em paz a mim!

 Se me queres,

 enfim,

 tem de ser bem devagarinho, Amada,

 que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Fábula Budista


Há tempos, um bando de mais de mil codornas habitava uma floresta da Índia. Viviam felizes, mas temiam enormemente seu inimigo, o apanhador de codornas. Ele imitava seu chamado e, quando se reuniam para atendê-lo, jogava sobre elas uma enorme rede e as levava numa cesta para vender. Mas uma das codornas era muito sábia e disse:

 "Irmãs! Elaborei um plano muito bom. No futuro, assim que o caçador jogar a rede, cada uma de nós enfiará a cabeça por dentro de uma malha e todas alcançaremos voo juntas, levando-a conosco. Depois de tomarmos uma boa distância, deixaremos cair a rede num espinheiro e fugiremos".

 Todas concordaram com o plano. No dia seguinte, quando o caçador jogou a rede, todas juntas a içaram conforme a sábia codorna havia instruído, jogaram-na sobre um espinheiro e fugiram. Enquanto o caçador tentava retirar a rede de cima do espinheiro, escureceu e ele teve de voltar para casa.

 Isso aconteceu durante várias tentativas, até que afinal a mulher do caçador se aborreceu e indagou.

 "Por que você nunca mais conseguiu pegar nenhuma codorna ?"

 O caçador respondeu: "O problema é que todas as aves estão trabalhando juntas, ajudando-se entre si. Se ao menos elas começassem a discutir, eu teria tempo de pegá-las."

 Dias depois, uma das codornas acidentalmente esbarrou na cabeça de uma das irmãs quando pousaram para ciscar o chão.

 "Quem esbarrou na minha cabeça ?", perguntou raivosamente a codorna ferida. "Não se aborreça. Não tive a intenção de esbarrar em você", disse a primeira.

 Mas a irmã agredida continuou a discutir: "Eu sustentei todo o peso da rede! Você não ajudou nem um pouquinho!", gritou.

 A primeira então se aborreceu e em pouco tempo estavam todas envolvidas na disputa. Foi quando o caçador percebeu a sua chance. Imitou o chamado das codornas e jogou a rede sobre as que se aproximaram. Elas ainda estavam contando vantagem e discutindo, e não se ajudaram a içar a rede. Portanto, o caçador ergueu-a sozinho e enfiou as codornas dentro da cesta.

 Enquanto isto, a sábia codorna reuniu as amigas e juntas voaram para bem longe, pois ela sabia que discussões dão origem a infortúnios.

de Fábulas Budistas

domingo, 30 de junho de 2013

A Escolha de Sofia - outra relíquia


Outro dia, tive a oportunidade de encontrar o livro A Escolha de Sofia de Wylliam Styron. Com a releitura do livro lembrei  da época em que assisti o filme e de como a história de Sofia tinha mexido comigo naquele tempo. Sofia era uma polonesa, não judia, que tinha sido apanhada pelos nazistas juntamente com seus dois filhos e, no momento de fazerem a triagem para encaminhá-los para o campo de concentração, por ela não ser judia, os nazistas lhe deram o direito de escolher, entre os seus dois filhos, apenas um para ir de imediato para as câmaras de gás. Meryl  Streep, mas bela do que nunca, fez uma cena inesquecível. Uma cena para ser lembrada em todos os nossos momentos de grandes escolhas, é claro que escolhas  numa escala infinitamente menor. Seis anos depois de ter assistido esse filme, aos 28 anos, eu tive que fazer uma escolha bem difícil. Eu tinha que escolher entre cuidar daqueles que estavam sob minha responsabilidade ou cuidar da minha própria vida, construindo minha própria família, porque, na ocasião, não havia um meio termo. Naquele momento eu lembrei muito de Sofia e também em outros momentos de escolhas difíceis pelas quais passei depois. O filme é muito fiel a história contada no livro, mas o livro é muito mais intenso, mais  completo, principalmente se lido após ter assistido o filme, porque a beleza de Meryl Streep vem a nossa mente sempre que nos deparamos com Sofia no livro.

Sinopse do filme:
Com brilhante interpretação de Meryl Streep, A Escolha de Sofia é um filme denso, emocionante. Sofia (Streep) é uma polonesa que sobreviveu aos horrores de um campo de concentração nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Agora, ela tenta reconstruir sua vida nos Estados Unidos. Passa a viver entre o amor inconstante da Nathan (Kevin Kline), que lhe devolve a vontade de viver, e a devoção do amigo Stingo (Peter MacNicol), mas ainda é atormentada pelo fantasma da escolha que foi obrigada a fazer em Auschwitz. Um filme grandioso, com Meryl Streep numa de suas atuações mais marcantes, vencedora do Oscar® de Melhor Atriz.
 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Última Ceia - curiosidade

 
No tempo de Jesus já era universal o uso das pessoas se reclinarem para comer.
 Em regra, somente três pessoas se acomodavam em cada leito, mas ocasionalmente quatro, e até cinco.
Os leitos estavam providos de almofadas, sobre as quais se firmava o cotovelo esquerdo, ficando livre o braço direito.
 
Do livro: Estamos Prontos - Hammed - Médium: Francisco do Espírito Santo Neto

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Os onze sinais de paz interior


Medite em cada um deles e sinta a força que emana de seu coração:

 1. Perda de interesse em conflito;

 2. Ataques frequentes de sorrir;

 3. Esmagadores ataques frequentes de apreciação;

 4. Perda de desejo de julgar os outros;

 5. Capacidade inconfundível de apreciar cada momento;

 6. Tendência a pensar e agir espontaneamente ao invés de medo baseado na experiência do passado;

 7. Perda de interesse em interpretar as ações dos outros;

 8. Perda da capacidade de se preocupar (um sintoma grave);

 9. Sentimentos satisfeitos de conexão para com o outro e da natureza;

 10. Aumentando a susceptibilidade a amor prorrogado por outros, bem como uma incontrolável vontade de estendê-lo;

 11. Tendência crescente para deixar as coisas acontecerem ao invés de fazer as coisas acontecerem.

Desconheço a autoria.
Imagem retirada do SITE: http://anahataespaoterapeutico.blogspot.com.br/2013/01/transformando-doenca-e-o-sofrimento.html

Transitoriedade


 Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:

- Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e mais poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil...

 Outra onda do oceano lhe escutou e disse:

- Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoisticamente por aquilo que não és, e mergulhas em autopiedade!

- Mas, - replicou a pequena onda - se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?

- Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!

- Água? E o que é água?

- Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contemples a transitoriedade à tua volta, tenhas coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso,  deixarás de sofrer com tua egóica insatisfação...

Recebi  de Claire Gobert – desconheço a autoria

sábado, 22 de junho de 2013

Despedida

Martha Medeiros
Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

Imagem retirada do site: http://www.essaseoutras.xpg.com.br/diferenca-entre-sentimentoemocao-e-razao-ser-emocional-ou-racional/